sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Por que a proposta da Globo é uma furada?

Os apresentadores da Globo têm apresentado uma postura agressiva durante as entrevistas com os candidatos a cargos executivos nas eleições deste ano.

É bom que se diga que o tom crítico é aceitável, desde que feito com respeito. O que se tem visto, no entanto, é uma posição arrogante dos entrevistadores, que cortam constantemente a linha de raciocínio dos entrevistados, com interrupções das mais desrespeitosas possíveis.

O símbolo desta nova postura global foi o posicionamento de William Bonner durante a entrevista com a presidente Dilma Rousseff. A petista mal pôde falar, já que Bonner tomou boa parte do tempo da entrevista com suas perguntas e interrupções.

Aí reside o ponto chave do fracasso da proposta: tempo. Que a emissora não queira servir de palco para os candidatos fazerem campanha política, acho aceitável. Se ela quer tocar nos pontos mais delicados da candidatura, também acho legal. Desde que faça isso com responsabilidade.

Se a emissora quer propor um debate entre entrevistador e entrevistado, teria que destinar um tempo maior dentro de seus telejornais para a troca de ideias. O que não pode é dar dez minutos para um candidato no qual ele é interrompido constantemente e desrespeitosamente pelo questionador.

Nesta ânsia de querer colocar o entrevistado contra a parede, a Globo vem pagando o preço.

Primeiro teve que prestar esclarecimentos após entrevista repleta de acusações contra o candidato ao governo do Rio de Janeiro Lindberg Farias, durante o RJTV 2ª edição.

Nesta última quinta-feira, 18, foi pior. Nesta de fazer acusações a rodo contra os candidatos, tiveram de ouvir resposta na mesma moeda do também candidato ao Palácio Guanabara Anthony Garotinho. O deputado questionou a Globo, representada na entrevista pela jornalista Mariana Gross, sobre denúncias de sonegação de impostos e o comprovado apoio à ditadura militar.

Pois é, a postura da Globo é tão ruim que a emissora teve de ouvir lição de moral do Garotinho.

Bachelet pretende acabar com a Lei de Anistia no Chile

Escrito em 12/09/2014

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, está decidida a acabar em seu país com a Lei de Anistia, que beneficia torturadores que atuaram durante o governo ditatorial de Augusto Pinochet.

A declaração do Governo veio nesta última quinta-feira (11), data do 41° aniversário do golpe que tirou de La Moneda o presidente socialista democraticamente eleito, Salvador Allende, e que impôs o general Pinochet como presidente.

Apesar de ser uma medida mais do que necessária, Bachelet sofre críticas de partidos da direita conservadora, mais em especial da UDI (Unión Demócrata Independiente).

Como mostra a matéria da edição brasileira do El País (link no final do post), para o presidente da UDI, Ernesto Silva, “o governo deveria preocupar-se com o terrorismo e o desemprego. Os chilenos querem pensar nos assuntos do futuro, não do passado, e custa entender que Bachelet os transforme em uma prioridade. Vai reabrir feridas”.


Bem, não sei sob qual ameaça terrrorista poderia estar vivendo o Chile. Talvez seja aquele velho terrorismo que sempre surge no discurso da direita para promover o conservadorismo.

Além do mais, olhar para frente não significa ignorar o passado, e sim entendê-lo como parte formadora do presente e do futuro, nunca empurrando a sujeira para debaixo do tapete.

PSDB cria caso no projeto de ciclovias de Haddad

Escrito em 11/09/2014

Dando prosseguimento ao seu plano de fazer 400 quilômetros de ciclovia até 2015, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, divulgou nesta semana seu projeto final para implantação de uma ciclovia no canteiro central da Avenida Paulista. Apesar do projeto representar claramente um avanço nas políticas de mobilidade urbana, o PSDB vem criando barreiras para a efetiva realização do plano do prefeito petista.

O senador tucano Aloysio Nunes fala em “delírio autoritário” do prefeito, como mostra a matéria do Estadão para qual deixo o link abaixo. 

No entanto, a sensação que fica é que se trata mais de uma rixa política do que de qualquer outra coisa. A ideia é boa, mas como parte de um político do partido rival não poderia ser aceita tranquilamente.


O passado se repetiu para a Seleção Canarinho

Escrito em 10/09/2014

Já se passaram dois meses da histórica derrota da seleção brasileira para a Alemanha por 7 a 1 na Copa de 14. No fatídico 8 de julho, presenciamos a vitória de um time que representava o dito futebol moderno, mas que em nenhum momento negou a beleza do jogo, sobre uma equipe que se baseava única e exclusivamente em seu ótimo histórico dentro do esporte (nem mesmo o talento individual de Neymar pôde ser usado, visto que o craque estava machucado).

Este enredo não é novo. Durante a Copa de 1974, o Brasil também achou que seu retrospecto em Copas do Mundo poderia sozinho derrubar seus adversários.

Estive lendo o livro “O Futebol explica o Brasil”, de Marcos Guterman, e uma passagem me chamou a atenção. Às vésperas de encarar a temida Holanda na Copa disputada na Alemanha, em jogo valendo uma vaga na final, o treinador brasileiro Zagallo fez pouco do “Carrossel Holandês”. Para ele, a Holanda “era muito tico-tico no fubá e pouco futebol, que nem o América dos anos 50”. Resultado? Dois a zero para os holandeses.

É claro que não chega a ser um 7 a 1, mas já mostra que o futebol brasileiro não aprendeu com seus erros. É bem verdade que a camisa amarelinha pesa e pode ajudar a Seleção em algumas ocasiões. Mas pedir que, sozinha, vença jogos, já é demais.

O que as eleições no Brasil significam para o Mercosul?

Escrito em 09/09/2014

O resultado da disputa presidencial no Brasil diz respeito não somente aos cidadãos brasileiros, mas a toda a América Latina. A definição da liderança de um país que tem a quinta economia do mundo gera interesse no mundo inteiro, mas principalmente em nossos vizinhos.

Nos últimos 12 anos pudemos observar uma aproximação do governo brasileiro com os demais representantes latino-americanos. Esta integração é muito importante para a região, uma vez que seus países apresentam problemas históricos e sociais semelhantes. Um fortalecimento conjunto de todas as nações locais representa um benefício para todos, que podem somar forças e trocar experiências visando a superação de suas dificuldades.

O Brasil, como grande potência regional, tem um papel chave na manutenção e fortalecimento do Mercosul (no caso, organização formada unicamente por países da América do Sul). As direções tomadas pelo próximo presidente brasileiro podem alavancar ou dizimar este importante bloco econômico.

Dentre os três candidatos com maiores chances no pleito majoritário, dois aparecem com perspectivas bastante claras. Dilma Rousseff, candidata da situação, deve buscar um estreitamento (ou pelo menos uma manutenção) das relações com os países vizinhos. Aécio Neves, do PSDB, significa uma intensificação dos acordos com EUA e União Europeia e um distanciamento dos países latino-americanos.

A terceira via é Marina Silva, candidata pelo PSB. Pela formação da equipe econômica que a cerca, a tendência é que ela penda mais para o lado da política econômica defendida pelos partidários de Aécio, com o aumento de acordos bilaterais com as grandes potencias e um afrouxamento nos acordos com o Mercosul.

Este é um ponto muito importante para a política internacional brasileira. O país precisa definir se quer se visto pelos seus vizinhos como mais um representante latino-americano, preocupado com o desenvolvimento econômico e social da região, ou como um representante das grandes potencias no coração da América.

Não que o Brasil deva negar todo e qualquer tipo de acordo com os Estados Unidos e as nações europeias, mas parece importante para o desenvolvimento do país que suas relações econômicas sejam as mais diversas possíveis, incluindo em sua lista de parceiros representantes da África, da Ásia e, principalmente, da América Latina.